- Conteúdo
- Blog
Comportamento inseguro no trabalho: o risco invisível por trás dos acidentes
Veja como comportamentos e condições inseguras contribuem para acidentes de trabalho e quais ações reduzem riscos e fortalecem a segurança.
- Notícias
Acidentes de trabalho dificilmente são consequência de um único fator isolado. Em geral, são resultado da combinação entre comportamentos inseguros e condições inseguras presentes no ambiente operacional, dentro de um contexto que influencia decisões, rotina e percepções de risco. Ainda assim, é comum que a análise do evento se concentre exclusivamente na conduta do trabalhador, deixando de lado fatores sistêmicos e falhas de gestão que contribuem diretamente para a ocorrência do acidente.
Compreender o que é comportamento inseguro, como diferenciar de uma condição insegura e quais fatores influenciam essas atitudes é essencial para reduzir riscos e fortalecer a cultura de segurança.
Ao longo deste artigo, vamos abordar como esses elementos estão relacionados aos acidentes de trabalho e quais ações práticas devem ser adotadas pelas empresas para prevenir ocorrências e tornar o ambiente de trabalho mais seguro. Confira.
Comportamento inseguro e condição insegura: qual a diferença?
O comportamento inseguro refere-se à execução de uma atividade em desacordo com orientações, procedimentos ou meios seguros estabelecidos, mesmo quando estão disponíveis. Trata-se de uma decisão ou atitude que expõe o trabalhador, e às vezes toda a equipe, a riscos desnecessários. Um exemplo recorrente de comportamento inseguro é a retirada deliberada de dispositivos de proteção de uma máquina, com o objetivo de “ganhar tempo” durante a execução da operação.
Já a condição insegura está relacionada ao estado do ambiente de trabalho, dos equipamentos e das instalações. São falhas físicas, estruturais ou organizacionais que expõe trabalhadores ao risco, independentemente de sua conduta. Máquinas sem proteção adequada, pisos escorregadios sem sinalização, ferramentas em condições inadequadas de uso e instalações elétricas improvisadas ou fora de conformidade são exemplos típicos de condições inseguras.
Na prática, comportamento inseguro e condição insegura tendem a se retroalimentar, resultando em ambientes operacionais que favorecem a exposição ao risco, principalmente quando não há processos, procedimentos ou controles adequados definidos pela empresa.
O que influencia comportamentos inseguros no ambiente de trabalho
O comportamento inseguro no trabalho geralmente é resultado de uma escolha individual. Está diretamente ligado ao contexto da operação, às condições oferecidas pela empresa e à forma como a segurança é gerenciada no dia a dia pelo trabalhador. Entre alguns principais fatores que influenciam a adoção de comportamentos inseguros, destacam-se:
• Falta de treinamento adequado, quando o colaborador não compreende plenamente os riscos da atividade ou os limites de segurança dos equipamentos que opera, como manusear uma máquina sem conhecer os procedimentos corretos.
• Pressão por produtividade, que pode influenciar na execução das tarefas de forma apressada, levando ao descumprimento de etapas importantes de segurança para cumprir prazos ou metas.
• Normalização do desvio, situação em que atos inseguros, sustentados pela ausência histórica de acidentes, leva à falsa sensação de que o risco é controlável ou aceitável.
• Ambientes de trabalho mal planejados, nos quais condições inseguras impõem a adoção frequente de improvisos operacionais, como acessos inadequados, layouts que dificultam a execução segura das atividades ou falta de EPIs e EPCs apropriados para o controle efetivo de riscos.
• Falhas de comunicação, caracterizadas por instruções de trabalho pouco claras, ausência de procedimentos formalizados ou treinamentos insuficientes, que resultam na execução das atividades de forma não padronizada, baseada em interpretações individuais, o que gera falta de padronização e maior exposição ao risco.
Como comportamentos e condições inseguras influenciam acidentes de trabalho
Comportamentos inseguros e condições inseguras costumam atuar de forma combinada, criando cenários propícios para que o risco se materialize. Um ato inseguro, como acessar uma área energizada sem a aplicação do bloqueio, frequentemente está associado à ausência ou fragilidade de procedimentos formalizados, à falta de dispositivos adequados ou à normalização desse tipo de prática no dia a dia.
Por outro lado, a recorrência de comportamentos inseguros pode se consolidar como uma condição insegura permanente. A remoção frequente de proteções de máquinas, por exemplo, deixa de ser um desvio pontual e passa a integrar a rotina operacional, elevando significativamente a probabilidade de acidentes. É nesse contexto que a investigação de acidentes e quase acidentes se torna fundamental para a gestão de segurança.
Investigar não significa apontar culpados, mas identificar as causas raiz do evento, analisando de forma estruturada fatores comportamentais, faltas de processo, deficiências de treinamento e ausência de controles eficazes de risco. Um acidente ocorrido durante uma manutenção, por exemplo, pode evidenciar que o bloqueio das energias perigosas não foi realizado não por negligência individual, mas pela inexistência de um programa de LOTO implementado ou pela indisponibilidade dos dispositivos de bloqueio necessários.
Quando a empresa passa a analisar acidentes sob essa perspectiva, deixa de atuar de forma reativa e passa a adotar uma abordagem preventiva, corrigindo falhas estruturais, organizacionais e de controle antes que novos eventos ocorram. Essa análise é o ponto de partida para ações de prevenção efetivas, que vão além da simples correção do comportamento individual e promovem a redução real e sustentável dos riscos no ambiente de trabalho.
Como evitar comportamentos inseguros e reduzir condições de risco
A prevenção de comportamentos inseguros e a eliminação de condições inseguras exige uma abordagem estruturada e sustentada ao longo do tempo. Não se trata de ações pontuais ou isoladas, mas de um conjunto de práticas que envolvem pessoas, processos e gestão contínua, com foco na redução dos riscos na origem.
Algumas medidas são importantes para alcançar esse objetivo :
• Desenvolvimento e fortalecimento da cultura de segurança, com o engajamento efetivo de lideranças, gestores e equipes operacionais. A atuação ativa de supervisores, incluindo a intervenção imediata em atividades inseguras e o reforço consistente de que a segurança precede a produção, influencia diretamente sobre o comportamento das equipes e a tomada de decisão no campo.
• Implantação de Diálogos de Segurança (DSS) como ferramenta prática de fortalecimento da cultura de segurança, utilizando situações reais do dia a dia para reforçar boas práticas, identificar atos inseguros e corrigir desvios antes que se transformem em acidentes.
• Treinamento e capacitação dos colaboradores, abrangendo tanto a conscientização sobre os riscos e as medidas de controle quanto a formação técnica exigida para atividades específicas, como trabalho em altura, espaços confinados, segurança elétrica, operação de máquinas e condução de equipamentos.
• Desenvolvimento e implementação de programas formais de segurança, como o Programa de Controle de Energias Perigosas (PCEP), a proteção de máquinas e a gestão de atividades críticas, garantindo critérios claros de bloqueio, permissões de trabalho, responsabilidades e padronização dos controles de riscos.
• Elaboração, padronização e revisão periódica de procedimentos operacionais e instruções de trabalho, garantindo que estejam atualizados, em conformidade com as normas de segurança e adequados à realidade operacional, com atenção especial às atividades de manutenção e demais intervenções críticas.
• Criação, monitoramento e análise de indicadores de segurança, incluindo desvios, quase acidentes e comportamentos de risco, possibilitando uma atuação preventiva e não apenas reativa, baseada em dados.
Como a TAGOUT apoia sua empresa
Reduzir comportamentos inseguros e eliminar condições de risco exige mais do que ações pontuais, requer uma atuação estruturada, contínua e alinhada à realidade operacional.
A TAGOUT atua ao lado das empresas no desenvolvimento e na implantação de programas de segurança voltados ao controle de riscos, como o Bloqueio e a Etiquetagem para o Controle de Energias Perigosas (LOTO), abrangendo desde a análise de riscos e definição de critérios técnicos até a aplicação prática dos controles, com software de gestão contínua para controle de toda a operação.
A empresa também apoia na elaboração, padronização e revisão de procedimentos operacionais, bem como na capacitação técnica e prática das equipes – contribuindo para redução de desvios, prevenção de acidentes durante intervenções ou manutenções e fortalecimento consistente da cultura de segurança no trabalho.